Tokenização atinge R$ 4 bilhões no Brasil e deixa de ser promessa
Mercado cresce 300% em 12 meses e B3 anuncia tokenizadora própria enquanto regulação avança para consolidar setor
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O mercado brasileiro de tokenização de ativos encerrou 2025 com R$ 4 bilhões em emissões, consolidando-se como alternativa real de captação. Após anos de promessas, o setor apresenta dados concretos de crescimento e atração institucional.
Da teoria à prática: o mercado que emergiu
A tokenização de ativos no Brasil atravessou em 2025 a linha que separa experimentação de mercado funcional. Os R$ 4 bilhões em ativos digitais emitidos ao longo do ano representam mais que volume — sinalizam mudança estrutural na forma como empresas captam recursos e investidores alocam capital.
A AmFi, plataforma de tecnologia para mercado de capitais, ilustra essa transição. Entre julho de 2024 e julho de 2025, a empresa registrou crescimento de 300% no volume movimentado, alcançando R$ 180 milhões em operações tokenizadas apenas em julho de 2025. Em menos de dois anos de operação, acumulou R$ 1,7 bilhão em transações.
Esses números não emergem do vácuo. Refletem a convergência entre infraestrutura tecnológica madura, clareza regulatória crescente e demanda real por alternativas de captação fora dos canais tradicionais.
Renda fixa domina, mas diversificação avança
A distribuição dos R$ 4 bilhões emitidos revela preferências claras do mercado. Fundos de investimento lideram com R$ 1,44 bilhão (36% do total), seguidos por Cédulas de Crédito Bancário com R$ 1 bilhão (26%), notas comerciais com R$ 793 milhões (20%) e debêntures com R$ 602 milhões (15%).
Essa concentração em renda fixa não surpreende. Instrumentos de dívida apresentam fluxos de caixa previsíveis, facilitam a precificação e atendem tanto emissores que buscam custo de capital competitivo quanto investidores que priorizam retornos estáveis.
O setor financeiro responde por 666 ativos lançados, totalizando R$ 2,29 bilhões — mais da metade do mercado. Essa liderança reflete a capacidade das instituições financeiras de estruturar operações complexas e sua familiaridade com requisitos regulatórios, combinação essencial para escalar tokenização.
As cinco maiores tokenizadoras — Vert Capital, Mercado Bitcoin, Liqi, Zuvia e Dexcap Finance — concentram 99,42% das emissões. Essa concentração indica que escala e expertise técnica ainda funcionam como barreiras relevantes, embora decrescentes.
Stablecoins: a infraestrutura invisível
Enquanto a tokenização de ativos captura manchetes, as stablecoins operam como infraestrutura essencial do ecossistema. Noventa por cento das transações cripto no Brasil já utilizam stablecoins como BRZ, BRLA e BBRL.
Essa preferência não é acidental. Stablecoins eliminam a volatilidade que caracteriza criptomoedas tradicionais, funcionando como ponte entre o sistema financeiro tradicional e a infraestrutura blockchain. Permitem liquidação instantânea, reduzem custos de transação e facilitam operações transfronteiriças.
A expectativa de que stablecoins atinjam trilhões de dólares em circulação globalmente durante 2026, impulsionadas por pagamentos e investimentos, sugere que o Brasil acompanha tendência mundial — não experimenta fenômeno isolado.
Regulação: de obstáculo a catalisador
O avanço regulatório em 2025 representou inflexão crítica. O Banco Central conduziu quatro consultas públicas (109, 110, 111 e 122) que devem resultar em regras definitivas até o fim do ano para empresas que atuam no mercado cripto.
A CVM abriu a Consulta Pública SDM 05/2025, propondo revisão completa da Resolução 88. A proposta moderniza o regime de crowdfunding e permite emissão de valores mobiliários tokenizados com limites expandidos — até R$ 50 milhões em determinados casos.
Essa divisão de competências — Banco Central regulando VASPs e tokens como meio de pagamento, CVM supervisionando valores mobiliários tokenizados — estabelece clareza jurisdicional que o mercado demandava. Empresas podem agora estruturar operações com previsibilidade regulatória razoável.
Mais de 110 empresas contribuíram com dados e estudos ao longo de 2025, indicando engajamento setorial com o processo regulatório. Setenta por cento dos fundos de venture capital brasileiros já investem em ativos digitais, sinalizando confiança institucional.
B3 entra no jogo: validação ou competição?
O anúncio da B3 de que lançará tokenizadora própria em 2026, incluindo emissão de stablecoin lastreada em reais, valida o modelo de negócio das tokenizadoras estabelecidas ao mesmo tempo que intensifica competição.
A entrada da bolsa brasileira traz credibilidade institucional e infraestrutura de distribuição incomparável. Simultaneamente, força tokenizadoras existentes a diferenciarem-se — seja por especialização setorial, velocidade de execução ou custo competitivo.
Essa dinâmica beneficia o mercado. Competição acelera inovação, reduz custos e expande acesso. A questão não é se a B3 canibalizará players existentes, mas como o mercado total expandirá com participante desse porte.
O que esperar de 2026
A tokenização consta entre as prioridades da agenda regulatória da CVM para 2026. Sessenta e sete por cento das empresas entrevistadas consideram que o mercado melhorou significativamente em 2025 versus 2024.
Essa combinação — arcabouço regulatório consolidando-se, infraestrutura tecnológica madura, participantes institucionais entrando — sugere que 2026 pode marcar transição da tokenização de nicho especializado para componente padrão do mercado de capitais.
Para investidores, a implicação é direta: diversificação de portfólio pode agora incluir acesso a ativos antes inacessíveis ou ilíquidos. Para empresas, tokenização representa canal de captação complementar, não substituto.
O mercado de R$ 4 bilhões de 2025 é fundação, não teto. A questão é quanto e quão rápido esse número cresce — não se o crescimento ocorrerá.
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Fontes
- Brazil Tokenization Report 2025 — The Convergence Moment
- AmFi - Plataforma de tecnologia para mercado de capitais
- Consulta Pública SDM 05/2025 - CVM
- Consultas Públicas 109, 110, 111, 122 - Banco Central
Conteúdo produzido com assistência de inteligência artificial e validado pela equipe editorial Rockenbury Análises.
