M&A brasileiro volta a crescer com seletividade e domínio local
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    M&A brasileiro volta a crescer com seletividade e domínio local

    Mercado registra 954 operações até agosto de 2025, avanço de 13% impulsionado por tecnologia e maior previsibilidade

    Equipe Rockenbury·16 de março de 2026·6 min de leitura

    Pontos-chave

    • fusões e aquisições
    • M&A
    • mercado de capitais

    O mercado brasileiro de fusões e aquisições registrou 954 operações entre janeiro e agosto de 2025, crescimento de 13% sobre o mesmo período de 2024. O movimento reflete menor volatilidade macroeconômica e apetite seletivo concentrado em setores estruturais.

    Retomada com números expressivos

    O mercado de M&A brasileiro atravessa um ciclo de retomada que combina volume robusto com maior critério nas transações. Com 954 operações nos primeiros oito meses de 2025, o país registra o melhor desempenho desde 2008, desconsiderando apenas os anos atípicos de 2021 e 2022, quando a liquidez abundante da pandemia distorceu métricas globais.

    Os números revelam dinâmica específica: até setembro, foram contabilizadas 1.087 operações, queda de 19% ante 2024, mas com volume financeiro ultrapassando US$ 50 bilhões (crescimento de 8%). A aparente contradição entre quantidade e valor sinaliza transações maiores e mais estruturadas, típicas de ambientes onde o custo de capital aumenta e a seletividade prevalece.

    O M&A estratégico — operações conduzidas por grupos industriais em busca de sinergias operacionais — movimentou US$ 42 bilhões, indicando que a consolidação setorial continua sendo o motor principal do mercado, não a especulação financeira.

    Tecnologia lidera, finanças surpreendem

    Tecnologia concentrou 320 operações (33% do total), mantendo posição de liderança natural em economia digitalizada. O setor abrange desde inteligência artificial até fintechs, healthtechs e energia renovável, refletindo a diversificação temática dos últimos anos. Não se trata mais apenas de software: infraestrutura tecnológica para transição energética entrou definitivamente no radar estratégico.

    A surpresa veio do setor financeiro, com 143 operações e crescimento de 110% na comparação anual. O movimento indica reorganização acelerada após anos de disrupção digital. Bancos tradicionais buscam escala em nichos específicos, enquanto fintechs consolidam posições ou são absorvidas por grupos maiores. A busca por eficiência operacional em ambiente de margem comprimida explica a intensidade.

    Telecomunicação, mídia e tecnologia — quando agrupados — somaram 453 transações até setembro, confirmando a convergência entre infraestrutura de conectividade e produção de conteúdo como tendência irreversível.

    Domínio nacional e recuo chinês

    Do total de operações até setembro, 884 envolveram compradores brasileiros contra apenas 203 grupos estrangeiros. O dado reforça padrão histórico do mercado local: capital doméstico domina aquisições de menor porte e médio porte, enquanto estrangeiros entram de forma pontual em ativos de maior escala ou setores regulados.

    Estados Unidos lideraram entre compradores externos com 70 operações, seguidos por França (14) e Reino Unido (10). China participou de apenas cinco negócios, recuo significativo comparado a anos anteriores quando capital chinês explorava ativamente oportunidades em infraestrutura e energia.

    O afastamento chinês reflete realinhamento geopolítico global e maior escrutínio regulatório em diversos países. Para o Brasil, significa menor competição por ativos estratégicos, mas também redução de alternativas de capital em setores intensivos.

    Fundos de private equity participaram de 210 operações, mantendo presença relevante mas não dominante. Com dry powder acumulado e perspectiva de juros mais baixos, esses veículos devem intensificar atividade tanto em novas aquisições quanto em saídas de portfólio nos próximos trimestres.

    Caso emblemático: MBRF

    A conclusão da fusão entre BRF e Marfrig em setembro de 2025, criando a MBRF (MBRF3), exemplifica a lógica de consolidação setorial em mercados maduros. A nova entidade figura entre as dez maiores companhias do país e representa aposta clara em ganhos de escala e eficiência logística no setor de proteínas.

    Para investidores, operações desse porte carregam riscos específicos de execução — integração de culturas corporativas, racionalização de plantas industriais, renegociação de contratos — mas também oferecem potencial de criação de valor quando sinergias se materializam. O desempenho operacional dos próximos 18 meses definirá se o prêmio pago se justifica.

    Perspectiva para 2026

    O mercado de M&A deve manter ritmo de atividade em 2026, porém com cautela no primeiro semestre devido ao calendário eleitoral. Historicamente, processos decisórios se alongam em anos eleitorais, especialmente em setores sensíveis a mudanças regulatórias ou com participação estatal.

    Setores estruturais — infraestrutura, energia, tecnologia, logística — tendem a ser menos afetados por volatilidade política de curto prazo, mantendo pipeline de transações. Já setores dependentes de concessões ou marcos regulatórios podem experimentar adiamentos até maior clareza sobre diretrizes governamentais.

    A trajetória da taxa de juros permanece variável crítica. Ambiente de juros declinantes favorece aquisições alavancadas e aumenta apetite de fundos de private equity. Inversamente, pressão inflacionária que force manutenção de taxa Selic elevada pode comprimir múltiplos e reduzir viabilidade de operações.

    Implicações para o investidor

    Para carteiras de ações, períodos de consolidação setorial criam oportunidades tanto em empresas adquiridas (prêmio sobre cotação) quanto em adquirentes bem-sucedidas (ganhos de participação de mercado). O desafio está em identificar alvos prováveis e avaliar capacidade de execução dos compradores.

    Investidores em renda fixa corporativa devem monitorar mudanças em estruturas de capital pós-fusão, especialmente aumento de alavancagem que pode pressionar ratings de crédito.

    O recuo chinês e domínio de capital nacional sugerem que oportunidades de M&A permanecerão majoritariamente precificadas em reais e sujeitas a dinâmicas locais de valuation, não a fluxos especulativos internacionais de curto prazo.

    Para quem busca exposição temática, setores com alta atividade de M&A — tecnologia, serviços financeiros, telecomunicações — sinalizam onde mercado identifica necessidade de escala e eficiência, frequentemente prenúncio de melhoria de rentabilidade setorial nos anos subsequentes.

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    Fontes

    • PwC Brasil - Relatório M&A 2025
    • KPMG - Análise de Mercado M&A
    • Bain & Company - M&A Report
    • J.P. Morgan - Brazilian M&A Outlook

    Conteúdo produzido com assistência de inteligência artificial e validado pela equipe editorial Rockenbury Análises.

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