M&A no Brasil: volume recorde esconde desaceleração e mudança de estratégia
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    M&A no Brasil: volume recorde esconde desaceleração e mudança de estratégia

    Mercado caminha para 1.087 operações em 2025, mas ritmo cai 19% e revela consolidação seletiva liderada por tech e financeiro

    Equipe Rockenbury·14 de março de 2026·6 min de leitura

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    O mercado brasileiro de fusões e aquisições registrou 1.087 operações até setembro de 2025, marcando o maior volume desde 2008. Os números, contudo, escondem uma desaceleração de 19% em relação a 2024 e uma mudança estrutural no perfil dos negócios.

    Crescimento que desacelera

    O mercado brasileiro de M&A atravessa um momento peculiar. Pelos números absolutos, 2025 caminha para ser o ano mais robusto desde a crise financeira de 2008, excluindo os picos artificiais da pandemia em 2021 e 2022. A PwC registrou 1.087 operações até setembro, volume que coloca o país entre os mercados mais ativos da América Latina.

    Mas os dados agregados mascaram uma inflexão importante. O ritmo de crescimento caiu de 24% no primeiro trimestre para apenas 13% em agosto, encerrando setembro com queda de 19% na comparação anual. Estamos diante de um mercado que cresceu em volume, mas desacelerou em velocidade – sinal claro de que o apetite por negócios tornou-se mais seletivo.

    Dois setores comandam o movimento

    A concentração setorial explica boa parte dessa aparente contradição. Tecnologia e serviços financeiros responderam por mais da metade das transações, com dinâmicas distintas mas complementares.

    O setor financeiro liderou em crescimento relativo: 143 operações representaram alta de 110% na base anual. Não se trata de euforia especulativa, mas de consolidação estrutural. Bancos digitais, fintechs e gestoras de crédito buscam escala para diluir custos de compliance e tecnologia, enquanto instituições tradicionais compram capacidade de inovação que não conseguem desenvolver internamente.

    Tecnologia, com 320 a 453 operações (dependendo da classificação de telecom e mídia), manteve-se como motor do mercado. O destaque vai para nichos específicos: inteligência artificial, cibersegurança e healthtechs. São áreas onde a vantagem competitiva depende menos de escala operacional e mais de propriedade intelectual e talento especializado – ativos que justificam múltiplos elevados mesmo em ambiente de juros mais altos.

    Capital nacional domina, mas com novo perfil

    Dos 1.087 negócios até setembro, 884 tiveram compradores nacionais contra apenas 203 estrangeiros. Entre os internacionais, Estados Unidos liderou com 70 transações, seguido por França (14) e Reino Unido (10). A China, outrora protagonista em infraestrutura e energia, recuou para apenas 5 operações.

    Mais revelador que a origem é o perfil dos compradores. Investidores estratégicos dominaram com 877 operações, enquanto fundos de private equity responderam por 210 – proporção de 80/20 que indica preferência por consolidação industrial em vez de alavancagem financeira.

    Esse movimento reflete aprendizado recente. Os excessos de 2021 e 2022, quando fundos pagaram múltiplos insustentáveis apostando em crescimento perpétuo, deixaram lições custosas. Agora, mesmo com Selic em trajetória de queda, o mercado privilegia sinergias operacionais comprováveis sobre projeções otimistas de crescimento.

    Fusão BRF-Marfrig: caso emblemático

    A criação da MBRF através da fusão entre BRF e Marfrig, concluída em setembro, ilustra a nova lógica do mercado. A operação não buscou criar valor através de múltiplos mais altos, mas sim através de consolidação de participação de mercado, poder de barganha com fornecedores e distribuidores, e otimização de capacidade produtiva.

    Com a MBRF entrando no top 10 das empresas brasileiras, a transação sinaliza que setores maduros com margens comprimidas encontraram na consolidação a única via realista de crescimento. É uma lógica que deve se replicar em alimentos, varejo e outros segmentos onde ganhos de produtividade interna se esgotaram.

    Mineração e logística: apostas para 2026

    Apesar dos holofotes em tech e financeiro, movimentos menos óbvios merecem atenção. As 18 operações em mineração nos nove primeiros meses de 2025 parecem modestas em números absolutos, mas ganham relevância quando contextualizadas com os preços recordes de commodities críticas para transição energética.

    Logística, embora sem dados desagregados precisos, aparece consistentemente nos relatórios setoriais como área de crescimento acelerado. A combinação de e-commerce estruturalmente mais forte pós-pandemia com gargalos crônicos de infraestrutura cria oportunidades para quem consegue escala regional.

    Para 2026, essas duas áreas devem ganhar protagonismo. A eleição presidencial nos Estados Unidos e possíveis mudanças em políticas comerciais aumentam a prima de risco para setores expostos a consumo doméstico, tornando ativos ligados a commodities e infraestrutura relativamente mais atraentes.

    Implicações para investidores

    O mercado de M&A funciona como termômetro antecedente do apetite corporativo por risco. A desaceleração observada ao longo de 2025, mesmo com volume absoluto elevado, sugere que a janela de oportunidade pode estar se fechando.

    Investidores devem observar três indicadores:

    Primeiro, a relação entre operações estratégicas e de private equity. Aumento na participação de fundos sinaliza confiança no ciclo; queda sugere cautela.

    Segundo, o prêmio pago sobre valor de mercado em operações de capital aberto. Múltiplos comprimidos indicam ceticismo sobre crescimento futuro.

    Terceiro, participação estrangeira. Capital internacional funciona como validação externa de valuation; sua ausência deixa mercado vulnerável a vieses domésticos.

    Perspectiva acionável

    A narrativa de "ano recorde" em M&A esconde mudança qualitativa importante. O mercado brasileiro está consolidando posições, não expandindo fronteiras. Para investidores, isso significa privilegiar empresas compradoras com histórico de integração bem-sucedida em vez de alvos potenciais que dependem de compradores otimistas.

    Setores fragmentados com necessidade estrutural de escala – como financeiro, logística e alimentos – devem continuar ativos. Já em tecnologia, a seletividade extrema sugere que apenas ativos com diferenciação genuína atrairão interesse, tornando o setor menos propício para apostas especulativas em alvos secundários.

    O ciclo de M&A aquecido prossegue, mas com regras diferentes das que prevaleceram nos picos de 2021 e 2022. Quem não ajustar a estratégia à nova realidade corre o risco de interpretar volume por vigor – confusão que costuma ter custo elevado.

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    Fontes

    • PwC Brasil - Relatório M&A 2025
    • KPMG - Análise de Fusões e Aquisições
    • Portofino Investimentos
    • OKTO Finance

    Conteúdo produzido com assistência de inteligência artificial e validado pela equipe editorial Rockenbury Análises.

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